Xiaomi YU7
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Xiaomi destrona Tesla e lidera vendas na China

Autor auto.pub | Publicado em: 13.02.2026

O que há poucos anos parecia improvável tornou-se agora realidade no mercado automóvel chinês. A Xiaomi, antes conhecida sobretudo pelos seus smartphones acessíveis, ascendeu ao topo da tabela de vendas de automóveis de passageiros na China, ultrapassando o até aqui intocável Tesla Model Y.

Os números de janeiro não deixam margem para dúvidas: o novo SUV Xiaomi YU7 foi o automóvel de passageiros mais vendido do país, relegando o Tesla Model Y para segundo plano. A Xiaomi deixou de ser vista como uma alternativa económica; hoje, os seus modelos são analisados a fundo pelos departamentos de benchmarking da concorrência. Não se trata de um golpe de sorte, mas sim da afirmação de um novo peso-pesado industrial.

Nova ordem nas estradas chinesas

Os dados de vendas de janeiro mostram um mercado em plena transformação. O YU7 liderou de forma destacada, com 37.869 unidades entregues. Atrás, os rivais domésticos lutaram taco a taco: o Geely Boyue L e o elétrico Geome Xingyuan atraíram ambos perto de 30.000 compradores, enquanto o Aito M7, apoiado pela Huawei, ficou em quarto lugar. O primeiro modelo ocidental, o Volkswagen Sagitar, surgiu apenas na quinta posição.

Mais abaixo no top 10, encontramos presenças habituais como o Nissan Sylphy e vários Volkswagen, incluindo Lavida, Tiguan L e Passat, todos com vendas a rondar as 20.000 unidades.

Os antigos campeões japoneses perderam terreno. O Toyota Corolla e o Honda CR-V partilham agora o ranking com novos elétricos como o Nio ES8 e o Toyota Camry.

O maior choque está no fundo da tabela: o Tesla Model Y caiu para o 20.º lugar, com 16.845 unidades vendidas — cerca de metade do registo da Xiaomi. Ficou atrás não só dos rivais elétricos chineses, mas também de nomes emergentes como a Li Auto e a Fang Cheng Bao. Para a Tesla, foi o pior mês em anos no mercado chinês.

Ecossistema versus minimalismo

O confronto entre Xiaomi e Tesla já não se resume ao hardware. Agora, a batalha faz-se no software.

A força da Xiaomi reside na estratégia Human x Car x Home, suportada pelo sistema operativo HyperOS. O automóvel integra-se de forma fluida com o ecossistema da marca: a partir do ecrã central, o condutor pode controlar eletrodomésticos, verificar campainhas inteligentes e espelhar aplicações do smartphone instantaneamente.

A Tesla segue outro caminho, com software fechado e minimalista. Para muitos consumidores chineses, porém, a integração digital profunda é mais apelativa do que a elegância despojada.

A Xiaomi também evitou uma das decisões mais polémicas da Tesla: o YU7 mantém botões físicos essenciais no habitáculo, complementados por funcionalidades inspiradas nas barras de notificações dos smartphones. Oferece ainda um modo de suavização de movimentos, pensado para reduzir o enjoo em viagem ao ajustar suspensão e resposta do acelerador. Este nível de detalhe revela uma marca que pensa para lá do código.

Autonomia e o futuro

No domínio da condução autónoma, o cenário é mais complexo. O sistema Full Self Driving da Tesla tem estatuto quase de culto nos EUA, mas enfrenta obstáculos regulatórios e de dados na China.

O sistema Pilot da Xiaomi recorre a LiDAR e chips Nvidia Thor, afinados para as condições densas e imprevisíveis das megacidades chinesas. Testes independentes mostram que as soluções locais podem superar a Tesla em ambientes urbanos complexos. E, crucialmente, muitas funções avançadas vêm de série, sem custos extra.

A Xiaomi planeia entregar mais de 550.000 veículos em 2026. Um SUV de sete lugares está a caminho e a expansão europeia é uma prioridade clara.

Para os construtores ocidentais, a mensagem é desconfortável: a marca que vendia telemóveis baratos agora fabrica elétricos que batem a Tesla no seu principal campo de batalha estrangeiro. No ritmo acelerado da tecnologia chinesa, o disruptor de ontem pode ser o ultrapassado de amanhã.