JD Power 2026 U.S. Vehicle Dependability Study
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Volkswagen perde prestígio: da referência à decepção

Autor auto.pub | Publicado em: 20.02.2026

Durante décadas, a Volkswagen construiu a sua reputação com uma promessa simples: engenharia sólida, fiabilidade garantida e lógica alemã. Mas os mais recentes resultados do estudo de fiabilidade da J.D. Power mostram que essa promessa já não convence. Em 2026, a marca caiu para o fundo da tabela, com 301 problemas por cada 100 veículos, ficando atrás de nomes como Land Rover e Volvo, tradicionalmente associados a dores de cabeça na fiabilidade.

Os números não mentem: a Volkswagen enfrenta uma crise sistémica, não um simples desvio estatístico. O Estudo de Fiabilidade de Veículos da J.D. Power avalia carros com três anos, neste caso modelos de 2023. Este detalhe é crucial, pois apanha em cheio as consequências da aposta digital da Volkswagen, quando ecrãs substituíram botões e as atualizações remotas prometiam um futuro sem preocupações.

Na prática, os proprietários queixam-se de sistemas de infoentretenimento que não conseguem ligar-se aos smartphones e de atualizações de software que trazem novos bugs em vez de resolver os antigos. Funções básicas exigem mais toques e gestos do que seria razoável.

A obsessão da Volkswagen em trocar comandos físicos por superfícies sensíveis ao toque gerou um caos ergonómico. Segundo a J.D. Power, muitas reclamações centram-se precisamente nas inovações que deveriam modernizar o habitáculo, mas acabaram por complicar tarefas simples.

A ironia é cruel: raramente se trata de falhas mecânicas graves, mas sim de irritações diárias que corroem a confiança do condutor.

O estudo destaca ainda os híbridos plug-in como a categoria de motorização mais problemática, com uma média de 281 problemas por 100 veículos. Os motores a gasolina tradicionais, sobretudo os japoneses, continuam a ser mais fiáveis a longo prazo do que as alternativas eletrificadas.

Marcas como Lexus (151 problemas por 100 veículos) e Buick (160) colhem os frutos de uma engenharia conservadora e de melhorias graduais. Evitam aventuras digitais e apostam em soluções comprovadas.

A Volkswagen, pelo contrário, arriscou em território desconhecido e o fosso entre ambição e execução aumentou.

Para muitos críticos, este é o exemplo clássico de prioridades corporativas a sobreporem-se à disciplina de engenharia. Na ânsia de parecer inovadora, a Volkswagen diluiu o capital de fiabilidade que levou décadas a construir. O estudo revela que 58% dos problemas reportados dizem respeito a funcionalidades que pouco ou nada acrescentam ao dia a dia do utilizador.

A marca posiciona-se perto do segmento premium, mas os dados mostram que a qualidade de construção e a experiência de utilização já ficam atrás de rivais mais acessíveis. Esta desconexão prejudica o valor de revenda e a reputação a longo prazo.

Em mercados onde a Volkswagen ainda é vista como o carro do povo, estes resultados são um aviso para quem pensa comprar usado. Se os modelos de 2023 já apresentam falhas eletrónicas, o que esperar após cinco ou dez anos em climas húmidos e frios, onde a eletrónica é ainda mais posta à prova?

Quem sempre associou o emblema alemão à fiabilidade à prova de bala terá de repensar. Os números apontam agora para leste, para fabricantes que preferem evoluir passo a passo em vez de apostar tudo na revolução digital.

O prestígio de engenharia conquista-se com esforço e perde-se depressa. Para a Volkswagen, reconstruir a confiança será bem mais difícil do que trocar um botão físico por um painel tátil.