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Toyota MR2 com turbina de helicóptero: tuning sem limites

Autor auto.pub | Publicado em: 18.12.2025

Quem achava que o tuning automóvel ainda obedecia a certos limites acaba de ver essas fronteiras desaparecerem. Dustin Brice, um americano fascinado por motores a jato, construiu um Toyota MR2 que não se limita a copiar a aviação no visual. O carro utiliza uma verdadeira turbina de helicóptero militar para sobrealimentar o motor. O resultado está mais próximo de um avião sem asas do que de um desportivo japonês clássico.

A paixão de Brice pela aviação, sobretudo pela propulsão a jato, moldou o MR2 por dentro e por fora. O habitáculo faz lembrar mais um cockpit do que um automóvel, o tablier inspira-se claramente na aeronáutica e a postura geral do carro sugere mais uma lista de verificações pré-voo do que uma ida à autoestrada.

O elemento mais impressionante está na traseira: uma turbina retirada de um helicóptero militar Boeing CH-47 Chinook. Não se trata de um adereço cénico, mas sim de uma unidade auxiliar de potência funcional, adaptada para um experimento rodoviário que leva o tuning a territórios pouco explorados.

O projeto começou de forma aparentemente inocente. Brice retirou o motor original do MR2 e instalou um V6 de 3,5 litros proveniente de um Toyota Sienna. Para a maioria dos condutores, isso já seria mais do que suficiente. Para Brice, soube a pouco.

Um turbo ou compressor convencional parecia previsível. Como mecânico numa empresa ligada à investigação de motores a jato, Brice teve acesso a uma turbina auxiliar de helicóptero. Foi esse momento que transformou o projeto de ambicioso a absolutamente fora da caixa.

A turbina do helicóptero não move as rodas nem funciona como motor independente. Serve para alimentar o V6 com pressão adicional, à semelhança de um turbo, mas levado ao extremo. As temperaturas do ar subiram tanto que foi necessário instalar um intercooler de grandes dimensões para manter o motor vivo.

A turbina tem o seu próprio depósito de 26,5 litros, abastecido com combustível de aviação. Curiosamente, o V6 mantém-se de origem, sem reforços internos, aguentando a pressão extra graças à engenharia da Toyota e a uma execução cuidadosa, não à força bruta.

A turbina pode ser ligada e desligada de forma independente. Brice admite que a usa com moderação, sobretudo porque o ruído é ensurdecedor. Existe ainda um efeito de chama separado, que lança fogo pelo escape apenas para espetáculo visual, sem relação direta com o funcionamento da turbina. Ou seja, o MR2 pode comportar-se como um desportivo discreto ou, quando provocado, como um avião rasante que se perdeu na pista.

Este projeto não se foca na velocidade máxima ou em tempos por volta. O objetivo é mostrar que a paixão técnica nem sempre responde à lógica. Uma turbina de helicóptero num carro não resolve nenhum problema prático, mas prova que a engenharia e a imaginação ainda se encontram onde ninguém está a contar as regras.