Tesla Semi chegou finalmente à linha de produção
A Tesla anunciou que o primeiro camião elétrico Semi saiu da linha de produção no Nevada. É uma mudança relevante face à produção até agora limitada e um passo rumo à escalabilidade industrial, embora a meta de 50 mil camiões por ano ainda esteja longe.
O primeiro Tesla Semi foi concluído numa linha de produção de grande volume, ou seja, de produção em série. Um único camião ainda não significa produção em série a plena capacidade, mas confirma que o projeto entrou numa nova fase.
A Tesla apresentou o protótipo do Semi em 2017 e apontava inicialmente o arranque da produção para 2019. Os primeiros camiões entregues a clientes chegaram à PepsiCo em dezembro de 2022, mas ao que se seguiu foi sobretudo uma utilização limitada, e não uma produção industrial em larga escala. A Reuters escreveu em 2024 que a PepsiCo usava então apenas 36 camiões dos 100 inicialmente reservados.
A produção do Tesla Semi está concentrada no Nevada. Dan Priestley, responsável pelo programa Semi, afirmou em 2025 que a fábrica está a ser planeada para 50 mil camiões por ano e que a produção começará a aumentar ao longo de 2026.
No relatório da Tesla para o primeiro trimestre de 2026, o Semi do Nevada ainda surgia com o estatuto de "pilot production", mas o documento acrescentava também que a produção em série do Semi era esperada ainda este ano.
A Tesla oferece o Semi com duas autonomias. A Standard Range anuncia cerca de 325 milhas, ou aproximadamente 523 quilómetros. A Long Range aponta para cerca de 500 milhas, ou 805 quilómetros. Ambas as versões têm três motores elétricos independentes no eixo traseiro, até 800 kW de potência e um peso bruto total do conjunto de cerca de 37,2 toneladas.
Segundo os dados oficiais da Tesla, o Semi consome 1,7 kWh por milha e, com um Semi Charger adequado, consegue recuperar até 60% da autonomia em 30 minutos. Como norma de carregamento, a Tesla refere a solução MCS 3.2. Isso coloca o camião numa posição técnica forte, mas a utilização comercial depende da conjugação entre rede de carregamento, ligações, capacidade de assistência e fiabilidade real do veículo.
O argumento de venda mais claro do Semi é a autonomia. Numa comparação da Reuters publicada em 2024, era referido que o Daimler Freightliner eCascadia tem uma autonomia de cerca de 230 milhas, enquanto o Tesla Semi anuncia aproximadamente 500 milhas. No papel, isso dá à Tesla uma vantagem clara em transportes regionais mais longos, onde o número de paragens para carregamento afeta diretamente a rentabilidade de cada operação.
Ao mesmo tempo, a experiência da PepsiCo mostrou que o lançamento de um camião elétrico pesado não depende apenas da prontidão do veículo. Segundo a Reuters, vários potenciais clientes da Tesla aguardavam a entrega do Semi e, ao mesmo tempo, começaram a utilizar camiões elétricos concorrentes. Para a Tesla, fica um aviso prático: um produto atrasado pode ser tecnicamente forte, mas os gestores de frota também avaliam a fiabilidade das entregas, a assistência e a disponibilidade da infraestrutura de carregamento.