Suzuki e SkyDrive levam táxi voador aos céus
Uma start-up de Tóquio aliou-se a um dos construtores automóveis mais pragmáticos do Japão e colocou uma aeronave elétrica no ar. A SkyDrive, apoiada pela engenharia da Suzuki, demonstrou publicamente o seu mais recente eVTOL, o SD 05.
O visual é futurista, com painéis em compósito e linhas limpas. Mas, como sempre na aviação, a realidade é bem mais limitada.
Não é avião, é um drone gigante
O SkyDrive SD 05 não é um avião tradicional. Parece antes um drone de grandes dimensões, pensado para transportar pessoas em vez de encomendas.
Em vez de um rotor principal como num helicóptero, o SD 05 aposta na propulsão distribuída. Doze motores elétricos e hélices, dispostos em pares por seis unidades de rotor, garantem que, mesmo com uma avaria, o aparelho mantém-se no ar graças à redundância.
A lotação é de três ocupantes: um piloto e dois passageiros. Ao contrário dos protótipos experimentais anteriores, este modelo destina-se a operações de táxi aéreo urbano de curta distância, não a demonstrações de recordes.
O calcanhar de Aquiles: as baterias
Apesar da engenharia apurada, a tecnologia das baterias continua a ser o maior entrave.
O tempo máximo de voo ronda os 10 a 15 minutos. Isto limita as operações a percursos muito curtos, onde partida e chegada estão próximas. Aqui, a autonomia mede-se em minutos, não em travessias ambiciosas pela cidade.
A velocidade máxima ronda os 100 km/h. Numa autoestrada aberta, parece pouco. Sobre o trânsito parado das cidades, pode ser revolucionário.
Face a rivais como a alemã Volocopter ou a norte-americana Joby Aviation, a SkyDrive aposta na compactação. Enquanto o modelo da Joby já se assemelha a um pequeno avião de asa fixa, o SD 05 cabe numa área equivalente a dois lugares de estacionamento.
A aposta estratégica da Suzuki
O envolvimento da Suzuki vai muito além do nome. A marca disponibiliza as suas instalações de produção em Iwata e décadas de experiência a fabricar veículos leves em grande escala.
Para a Suzuki, este projeto é uma aposta no futuro da mobilidade. À medida que o mundo dos motores de combustão encolhe, diversificar para novos formatos de transporte torna-se uma jogada estratégica.
O governo japonês também está a criar quadros regulatórios para permitir que aeronaves eVTOL operem no espaço aéreo urbano. Num país onde o solo é escasso e as cidades densas, a mobilidade aérea tem apelo político.
Uma solução à procura de escala
Mas as dúvidas persistem. Quem paga por um voo mais curto do que um café, que ainda exige piloto licenciado e autorização do controlo aéreo? Quantos passageiros pode este sistema realmente transportar face ao transporte público convencional?
Manter massa no ar consome muita energia. Até que as baterias evoluam em densidade e velocidade de carregamento, aeronaves eVTOL como o SD 05 continuarão a ser soluções de nicho.
O feito da SkyDrive é tecnicamente notável. Prova que é possível construir e voar aeronaves elétricas compactas com mentalidade de produção automóvel.
Se vão ser transporte do dia a dia ou apenas uma alternativa cara ao helicóptero, dependerá menos da engenharia dos rotores e mais da química.