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Plano da BYD para comprar um grande construtor acelera, com Europa, EUA e Japão na mira

Autor auto.pub | Publicado em: 18.03.2026

O plano da BYD para adquirir um construtor automóvel ganhou visibilidade pública a 13 de março, quando a liderança do grupo confirmou que está a estudar a possibilidade de comprar uma grande marca tradicional na Europa, nos Estados Unidos ou no Japão. Não há negociações formais em curso, mas o sinal é claro. O gigante chinês em rápido crescimento já não fala apenas de exportações, fala de uma via direta para os maiores mercados do mundo.

A BYD não procura um troféu, quer um caminho mais curto para chegar ao mercado

Na perspetiva da BYD, os construtores tradicionais estão a ser apertados por dois fardos de custos em paralelo, os modelos de combustão interna de um lado e os elétricos do outro. É precisamente por isso que a empresa está a olhar para possíveis alvos de aquisição. A BYD considera que o seu foco de longa data em híbridos e veículos elétricos lhe dá uma estrutura mais simples e uma capacidade de reação mais rápida.

Em linguagem simples, a lógica é bastante fria. Enquanto os fabricantes mais antigos pagam duas vezes pela transição, a BYD está a avaliar se consegue comprar, de uma só vez, um nome estabelecido, uma base industrial e uma rede de concessionários.

O Canadá começa a parecer o próximo campo de testes

O Canadá também surgiu na mesma discussão. A BYD está a estudar a possibilidade de construir uma fábrica no país e preferiria ter controlo total, em vez de avançar com uma joint venture. A ideia não apareceu do nada. No início deste ano, o governo canadiano disse que permitiria a entrada anual de até 49.000 automóveis elétricos construídos na China, com uma tarifa de 6,1 por cento. Antes, uma sobretaxa de 100 por cento tinha praticamente fechado essa porta.

A porta de entrada para o mercado norte-americano não está propriamente escancarada, mas alguém pelo menos deixou-a entreaberta.

A expansão europeia da BYD já começa a tornar-se real

Ao mesmo tempo, a BYD não se limita a falar de uma possível aquisição. Segundo a Reuters, a empresa já está a preparar produção na Europa através da sua fábrica na Hungria, enquanto a unidade na Turquia também deverá começar a operar este ano. No outono passado, Stella Li disse à Reuters que a BYD quer que todos os automóveis elétricos destinados à Europa sejam produzidos localmente, o mais tardar até 2028.

A pressão já é visível nos números. Em janeiro, as matrículas da BYD na União Europeia subiram para 13.982 automóveis, elevando a sua quota de mercado para 1,7 por cento, numa altura em que o mercado automóvel total da UE encolheu 3,9 por cento.

A pressão em casa faz com que exportar pareça menos ambição e mais necessidade

A razão para a urgência não é difícil de identificar. A Reuters noticiou a 1 de março que as vendas da BYD em fevereiro caíram 41,1 por cento em termos homólogos, assinalando o sexto mês consecutivo de descida. A empresa procura agora tração fora da China e aponta para 1,3 milhões de vendas no estrangeiro em 2026.

Quando o mercado doméstico deixa de aplaudir todos os meses, a expansão global começa a parecer menos bravata e mais autopreservação.

Esta história não é apenas sobre um possível negócio. Mostra a rapidez com que o poder está a mudar na indústria automóvel. Há poucos anos, os fabricantes chineses chegavam à Europa à procura de credibilidade e distribuição. Agora, um deles pondera abertamente uma grande aquisição, enquanto marcas estabelecidas lidam, ao mesmo tempo, com margens, eletrificação e procura fraca. O setor automóvel gosta de grandes slogans, mas desta vez a mensagem mais sonora é simples. A empresa com dinheiro, tecnologia e paciência é também a que está a desenvolver o maior apetite.