Peugeot Polygon Concept
Fullscreen Image

Peugeot desafia o volante com o novo Hypersquare

Autor auto.pub | Publicado em: 15.12.2025

A Peugeot decidiu colocar a questão da direção no centro do debate, não como um esboço ou conceito distante, mas como um sistema funcional. O construtor francês iniciou testes em estrada de um sistema de direção eletrónica baseado num comando invulgar, quase quadrado, chamado Hypersquare. Espera-se que o sistema faça a sua estreia pública na próxima geração do Peugeot 208.

A Peugeot está a testar o chamado steer by wire, um sistema em que não existe ligação mecânica entre o comando de direção e as rodas dianteiras. Servomotores elétricos controlam o movimento das rodas, enquanto a sensação de direção é recriada eletronicamente, sem qualquer ligação física.

Segundo o diário alemão Handelsblatt, a Peugeot não se ficou por um protótipo técnico. A marca convidou jornalistas a experimentar o sistema, um sinal claro de confiança e vontade de recolher opiniões desde cedo. Raramente os construtores abrem este tipo de testes a terceiros nesta fase.

O Hypersquare não tem nada a ver com um volante tradicional. Parece um painel de controlo compacto, quase quadrado, com quatro recortes circulares para os polegares do condutor. A Peugeot planeia integrar botões para funções secundárias nos recortes superiores, permitindo operar várias funções sem largar o comando.

De acordo com os jornalistas do Handelsblatt, o Hypersquare revelou-se surpreendentemente intuitivo. Apesar do formato excêntrico, a posição das mãos torna-se rapidamente natural. Esta curva de aprendizagem pode ser decisiva para o sucesso ou fracasso do sistema.

Uma das maiores vantagens do steer by wire está no conforto. Como as vibrações deixam de ser transmitidas diretamente das rodas, a sensação de direção torna-se mais suave e filtrada. O feedback é gerado por software, podendo adaptar-se às condições de condução.

Os engenheiros da Peugeot implementaram uma relação de direção variável de forma dinâmica. Em manobras de estacionamento, a direção é muito direta e reage a pequenos movimentos, enquanto a alta velocidade se torna mais progressiva e estável. Os primeiros testes apontam para uma sensibilidade excessiva a baixa velocidade, mas a adaptação é rápida.

Quando chegar à produção, o sistema deverá oferecer vários modos de condução. Um deles procura imitar ao máximo a direção tradicional, para que o condutor não se sinta num cockpit de avião nos primeiros quilómetros. Isto mostra que a Peugeot não quer chocar os clientes, mas sim habituá-los gradualmente.

A aposta da Peugeot evidencia o declínio da mecânica e a ascensão do software. O steer by wire abre caminho a sistemas autónomos e a novos interiores, onde o comando de direção já não precisa de ser redondo ou sequer estar sempre visível. Ao mesmo tempo, a abordagem cautelosa e multimodo revela que os construtores sabem o quão pessoal e emocional continua a ser a direção para os condutores. Por isso, o volante clássico não vai desaparecer já, mesmo que evolua silenciosamente para um compromisso eletrónico.