Mercedes-AMG GT 4-Door Coupé
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AMG GT 4 portas troca botões por software

Autor auto.pub | Publicado em: 06.03.2026

A Mercedes-AMG revelou o interior da próxima geração do AMG GT coupé de quatro portas. Lá dentro, os engenheiros de Affalterbach tentam resolver uma equação curiosa. Como entregar precisão de pista numa máquina de luxo que, muito provavelmente, pesa tanto como uma pequena cidade?

Isto não é apenas um habitáculo redesenhado. A equipa liderada por Michael Schiebe quer vender ao condutor um sistema nervoso digital, num automóvel em que a resposta dos motores eléctricos já corre à frente do tempo de reacção humano.

Quando a afinação do carro começa a parecer um videojogo

O novo sistema AMG RACE ENGINEER muda a forma como se conversa com a máquina. Em vez de mergulhar em camadas de menus para ajustar a rigidez da suspensão ou o comportamento da transmissão, a Mercedes coloca três comandos rotativos na consola central.

Não há cabos, nem válvulas mecânicas a mexer. Estes controlos actuam sobre software, o cérebro que gere a dinâmica vertical do veículo e os sistemas de tracção.

O seletor Response Control define a rapidez com que os motores eléctricos respondem. Ao contrário de um motor de combustão, onde uma válvula de acelerador abre fisicamente, aqui o que muda é o fluxo de corrente, afinado em milissegundos.

O Agility Control mexe na estratégia de torque vectoring, distribuindo potência entre as rodas para ajudar a carroçaria volumosa a rodar para dentro das curvas com mais precisão. Já o Traction Control introduz um sistema de gestão de escorregamento com nove níveis, permitindo escolher entre estabilidade conservadora e um modo de deriva capaz de transformar pneus em fumo.

Um cockpit feito de ecrãs

O posto de condução gira em torno de dois grandes ecrãs. Atrás do volante surge um painel de instrumentos digital de 10,2 polegadas. No centro do tablier, um ecrã principal de 14 polegadas, inclinado para o condutor, toma conta do cenário.

O passageiro não fica esquecido. Recebe um ecrã de entretenimento separado, também de 14 polegadas.

Na consola central, a marca acrescenta ainda duas bases de carregamento rápido por indução, colocadas longe dos porta-copos. A lógica é elementar: o café da manhã não deve ser o inimigo mortal do smartphone.

A Mercedes empurra o carro para o lado do software

O interior também denuncia a forma como a Mercedes-Benz passa a olhar para o automóvel como uma plataforma de software, e não apenas como um produto mecânico.

Entra em cena o novo MB.OS, sigla de Mercedes-Benz Operating System, que funciona como espinha dorsal digital do veículo. Do ponto de vista estratégico, o sistema reduz a dependência de empresas tecnológicas externas.

Em Affalterbach, os engenheiros ligaram a plataforma directamente à cloud, permitindo que a aplicação AMG TRACK PACE analise telemetria em tempo real. Traduzindo: o cliente já não compra apenas relações de caixa ou componentes mecânicos. Compra capacidade de computação.

O artesanato ainda conta

Apesar do foco no digital, a marca mantém uma ligação clara ao trabalho artesanal através do programa MANUFAKTUR.

O couro com padrão em losangos nos painéis das portas remete directamente para carros de competição históricos. O contraste ganha força ao lado do tecto panorâmico SKY CONTROL, assumidamente ultramoderno.

Este tecto em vidro alterna entre transparente e opaco com um toque num botão, graças a tecnologia de cristais líquidos. Em climas frios, o sistema também ajuda a limitar perdas de calor.

O resultado é um habitáculo que tenta equilibrar herança e performance guiada por software. Se isto é progresso ou uma rendição silenciosa à era digital, fica ao critério de quem se sentar ao volante.