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Maserati Encurralada: O Fim Está à Vista?

Autor auto.pub | Publicado em: 02.03.2026

Os números globais de vendas de 2025 não deixam margem para dúvidas. A Porsche encerrou o ano com mais de 320 mil carros entregues em todo o mundo, uma média de cerca de 870 veículos por dia. Já a Maserati não conseguiu ultrapassar a fasquia dos 10 mil exemplares em doze meses. Em termos simples, a Porsche vende em onze dias o que os italianos lutam para despachar num ano inteiro.

A diferença não se resume ao volume. Trata-se de dinâmica, margens e, sobretudo, significado.

Lucro versus pressão

A Porsche continua a operar com margens entre 15 e 18 por cento, números que fazem inveja à maioria dos fabricantes. A Maserati, pelo contrário, caiu para prejuízos operacionais, obrigando a casa-mãe Stellantis a suspender temporariamente a produção em algumas fábricas.

As esperanças depositadas em modelos recentes como o Maserati Grecale e o elétrico GranTurismo Folgore não trouxeram a reviravolta esperada. Enquanto isso, o Porsche Macan e o eterno 911 continuam a bater recordes de vendas.

Não se trata de um azar passageiro. O problema é estrutural.

Identidade diluída

O CEO da Maserati, Davide Grasso, tentou reposicionar a marca como um player de ultra luxo. A mensagem, porém, não convenceu. O problema vai além do marketing: é tecnológico e qualitativo.

Sob a alçada da Stellantis, a Maserati partilha componentes com marcas generalistas como a Alfa Romeo e até com gigantes de volume como a Jeep e a Peugeot. No papel, a partilha de plataformas faz sentido financeiro, mas dilui a exclusividade num segmento onde a perceção é tudo.

A Porsche, mesmo integrada num grande grupo, consegue manter uma identidade de engenharia distinta. Os clientes reconhecem a diferença e pagam por ela.

O fosso elétrico

A estratégia Folgore da Maserati chegou timidamente e tropeçou na execução do software. Em contrapartida, o Porsche Taycan e o novo Macan elétrico operam num patamar de sofisticação e desempenho que a Maserati ainda não alcançou.

A fiabilidade eletrónica continua a ser um calcanhar de Aquiles para os italianos. Já a Porsche mantém-se sistematicamente no topo dos inquéritos de fiabilidade. No segmento premium e de luxo, confiança é tudo.

Os valores residuais contam a mesma história. Os Maserati desvalorizam a pique nos primeiros três anos, assustando empresas de renting e particulares. Os Porsche mantêm o valor com uma resiliência notável, reforçando o posicionamento premium muito depois da venda inicial.

A Maserati está agora perante uma encruzilhada. Ou se reinventa de forma rápida e convincente, ou arrisca-se a tornar-se apenas um emblema decorativo no portefólio da Stellantis, admirada pelo passado mas irrelevante no presente. Só o legado já não chega para sobreviver.