Hyundai IONIQ V, elétrico criado especificamente para a China, dá início à nova contraofensiva da marca
A Hyundai apresentou no salão automóvel de Pequim o IONIQ V, o primeiro elétrico da gama IONIQ desenvolvido especificamente para o mercado chinês. O modelo assinala uma viragem estratégica do fabricante coreano: a Hyundai deixa de tentar vender na China apenas modelos globais e passa a construir um ecossistema local com a BAIC, a Momenta e a CATL.
O Hyundai IONIQ V nasceu para o mercado chinês e o fabricante posiciona-o como o primeiro produto visível da sua estratégia renovada “In China, For China, To Global”. Isto significa que a China já não é para a Hyundai apenas uma região de vendas, mas um laboratório de desenvolvimento, onde o software local, a tecnologia de baterias e as preferências dos compradores passam a influenciar também os futuros automóveis globais.
O IONIQ V baseia-se no conceito VENUS, apresentado em abril, e introduz nos modelos IONIQ chineses a nova linguagem de design “The Origin”. O automóvel tem 4,9 metros de comprimento, 1,89 metros de largura e 2,9 metros de distância entre eixos. Por isso, a Hyundai sublinha sobretudo o espaço interior, e não uma imagem desportiva de segmento compacto. O fabricante promete uma autonomia superior a 600 quilómetros segundo o ciclo chinês CLTC, mas deixa por divulgar, por agora, os detalhes sobre os motores, a capacidade da bateria, o preço e o início das vendas.
No habitáculo, o elemento central é um ecrã panorâmico 4K ultralargo de 27 polegadas, complementado por um Horizon head-up display. A Hyundai acrescentou um sistema de som de oito altifalantes com suporte Dolby Atmos, um assistente de voz baseado em LLM a funcionar no chip Qualcomm Snapdragon 8295 e sistemas de assistência ao condutor desenvolvidos pela Momenta. Isto mostra claramente para onde se dirige o mercado chinês dos elétricos: além do hardware, o automóvel vende-se cada vez mais através do ecrã, do software e dos assistentes.
Do ponto de vista comercial, o IONIQ V é ainda mais importante do que do ponto de vista técnico. A Hyundai e a BAIC vão investir 8 mil milhões de yuan na joint venture Beijing Hyundai e planeiam lançar 20 novos modelos no mercado chinês em cinco anos, incluindo veículos elétricos a bateria e elétricos de autonomia alargada. Segundo a Reuters, a Hyundai aponta, até 2030, a vendas anuais de 500 000 automóveis na China, incluindo exportações, o que significaria mais do que duplicar o volume atual.
O problema da Hyundai na China é claro: os fabricantes locais desenvolvem mais depressa, praticam preços mais agressivos e ligam cada vez mais o automóvel a uma experiência de serviços digitais. O IONIQ V mostra que a resposta da Hyundai já não é apenas uma carroçaria melhor ou uma garantia mais longa, mas uma localização mais profunda. A Momenta fornece a tecnologia de assistência ao condutor, a CATL apoia a vertente das baterias e a BAIC oferece a plataforma de produção e de mercado. Este modelo encurta o ciclo de desenvolvimento e reduz o risco de a engenharia coreana chegar ao cliente chinês demasiado tarde ou de forma demasiado universal.
Numa perspetiva europeia, o IONIQ V deve ser visto mais como um sinal do que como um candidato direto à comercialização. A Hyundai deixa em aberto a avaliação da disponibilidade noutros mercados, mas o valor real do modelo está na fórmula testada na China: carroçaria grande, autonomia CLTC superior a 600 km, forte parceria de software e uma experiência de utilização muito centrada no ecrã. Se isto funcionar no mercado de elétricos mais duro do mundo, parte das soluções passará inevitavelmente para a próxima geração de modelos globais da Hyundai.