El Prix: Asiáticos dominam teste de inverno na Noruega
O maior teste de resistência de inverno para carros elétricos do mundo, organizado pela Federação Automobilística Norueguesa e pela revista Motor, chegou ao fim. O resultado não vai agradar a muitas marcas europeias e americanas.
O El Prix não se perde em detalhes como porta-copos ou gráficos de ecrã tátil. Aqui avalia-se a disciplina de engenharia sob pressão: temperaturas negativas, estradas reais e distâncias honestas. O inverno norueguês continua a ser o exame supremo da eficiência dos veículos elétricos.
Eficiência é tudo
Entre os 24 carros testados, a média de perda face à autonomia oficial WLTP foi de 38%. Os melhores conseguiram manter as perdas próximas dos 30%, o que nestas condições é um feito técnico.
O destaque vai para o MG6S EV, que percorreu 345 quilómetros face aos 485 km prometidos em WLTP, uma quebra de 29%. O Hyundai Inster igualou essa percentagem. O MG IM6 ficou-se por uma redução de 30%.
A MG atribui o desempenho ao sistema de gestão térmica desenvolvido em conjunto com a SAIC e o gigante das baterias CATL. O sistema mantém as células da bateria numa janela de temperatura ideal, mesmo quando o exterior parece um congelador.
A lição é simples: o inverno não perdoa ineficiências.
Marcas premium não têm imunidade
Os títulos mais embaraçosos vão para nomes consagrados da tecnologia. O Tesla Model Y perdeu 43% da autonomia WLTP de 629 km, ficando-se pelos 359 km no teste. O Lucid Air, que ostenta uns quase teatrais 960 km WLTP, entregou apenas 520 km – uma quebra de 46%.
Com frio extremo, grande parte da energia serve para aquecer o habitáculo e manter a bateria viva, não para avançar. Quando a estratégia de software e a calibração da bomba de calor falham, a autonomia desaparece num instante.
Outros resultados reforçam o padrão. O Volvo EX90 perdeu 45%. O Mercedes-Benz CLA caiu 41%. BMW iX e Ford Capri registaram ambos reduções de 39%. Até o Audi A6 cedeu 38% face ao valor oficial.
No topo da tabela, os asiáticos dominaram. Além da MG e Hyundai, modelos como o Kia EV4, Changan Deepal S05 e Xpeng X9 mantiveram perdas entre 34% e 36%. Pode parecer pouco no papel, mas na condução real de inverno são dezenas de quilómetros e muita tranquilidade.
Ranking completo do El Prix 2026 por perda de autonomia
Eis a classificação dos 24 modelos, ordenados pela percentagem de perda face ao WLTP:
MG6S EV, WLTP 485 km, real 345 km, perda 29%
Hyundai Inster, WLTP 360 km, real 256 km, perda 29%
MG IM6, WLTP 505 km, real 352 km, perda 30%
KGM Musso, WLTP 379 km, real 263 km, perda 31%
Voyah Courage, WLTP 440 km, real 300 km, perda 32%
Kia EV4, WLTP 594 km, real 390 km, perda 34%
Changan Deepal S05, WLTP 445 km, real 293 km, perda 34%
Xpeng X9, WLTP 560 km, real 361 km, perda 36%
Mazda 6e, WLTP 552 km, real 348 km, perda 37%
Smart 5, WLTP 540 km, real 342 km, perda 37%
Audi A6, WLTP 653 km, real 402 km, perda 38%
Hyundai Ioniq 9, WLTP 600 km, real 370 km, perda 38%
Zeekr 7X, WLTP 541 km, real 338 km, perda 38%
Volkswagen ID Buzz, WLTP 449 km, real 277 km, perda 38%
BMW iX, WLTP 641 km, real 388 km, perda 39%
Ford Capri, WLTP 560 km, real 339 km, perda 39%
Volvo ES90, WLTP 624 km, real 373 km, perda 40%
Mercedes-Benz CLA, WLTP 709 km, real 421 km, perda 41%
Skoda Elroq, WLTP 524 km, real 309 km, perda 41%
Tesla Model Y, WLTP 629 km, real 359 km, perda 43%
Suzuki eVitara, WLTP 395 km, real 224 km, perda 43%
Volvo EX90, WLTP 611 km, real 339 km, perda 45%
Lucid Air, WLTP 960 km, real 520 km, perda 46%
Opel Grandland, WLTP 484 km, real 262 km, perda 46%
O que interessa para quem compra
Para quem pondera um elétrico num clima frio, esta tabela é um guia de compras escrito pela física.
O segredo está na lógica do software e na gestão da bomba de calor. Carros que pré-aquecem a bateria cedo, por exemplo abaixo dos 10 graus Celsius, mantêm melhor a autonomia. Outros tentam aquecer demasiado tarde, gastando energia em desespero para estabilizar as células.
O emblema no capot não garante nada. O inverno ignora hierarquias de marca. Premia a eficiência, castiga o desperdício e expõe sem piedade quem fez o trabalho de casa.