Chevrolet Corvette ZR1 é oficialmente rápido demais para as regras
O Chevrolet Corvette chegou a um ponto em que a engenharia pura colidiu com a burocracia. O novo Corvette ZR1 não é apenas rápido. É, oficialmente, rápido demais para competir em muitas pistas de drag sem equipamento de segurança adicional.
O regulamento da National Hot Rod Association deparou-se com 1064 cv e o resultado tem uma ironia moderada. Um dos automóveis de produção mais capazes do mundo acabou, na prática, impedido de competir antes mesmo de o primeiro cliente chegar à linha de partida.
Física contra o regulamento
Os engenheiros da General Motors levaram o V8 LT7 de 5,5 litros, biturbo, até começar a apresentar números que fazem até proprietários de Ferrari e McLaren mexerem-se desconfortavelmente no banco.
O LT7 debita 1064 cv e 1123 Nm de binário. O Corvette ZR1 consegue cumprir o quarto de milha, 402 metros, em menos de 9,7 segundos, cruzando a meta a mais de 240 km/h.
É precisamente aí que o problema começa. De acordo com as regras da NHRA, qualquer carro que faça o quarto de milha em menos de 10 segundos ou ultrapasse 217 km/h tem de levar equipamento de segurança adicional. Isso inclui uma gaiola de segurança, um paraquedas e uma licença de competição para o condutor.
Ao contrário do Corvette E Ray híbrido, o ZR1 depende exclusivamente de um motor de combustão. Isso torna-o no V8 de produção mais potente alguma vez construído nos Estados Unidos.
O regulamento da NHRA existe por uma razão. Um cinto de segurança e um airbag de série pouco fazem para proteger um condutor se uma máquina de 1,7 toneladas embater numa barreira de betão a mais de 240 km/h. Em certo sentido, o ZR1 tornou-se vítima da sua própria excelência de engenharia.
Uma mensagem estratégica da General Motors
A General Motors não construiu o ZR1 apenas para dominar as pistas de drag. Para Mark Reuss e a sua equipa, o carro funciona como uma declaração estratégica dirigida diretamente à elite europeia dos superdesportivos.
A mensagem é simples. A GM consegue construir um exótico monstro de motor central capaz de desafiar máquinas de Maranello ou Woking por uma fração do preço.
Ainda assim, isto cria um paradoxo curioso. A maioria dos proprietários de um ZR1 nunca vai instalar uma gaiola de aço no carro novo. Esse tipo de hardware estraga o interior e torna a utilização diária muito menos confortável.
O resultado é uma situação estranha. É possível comprar um carro capaz de prestações de recorde e, ainda assim, num evento oficial, pode ser necessário aliviar o acelerador para evitar que lhe peçam para sair da pista. Parece um nadador olímpico obrigado a competir com as mãos atrás das costas para que o resto do pelotão não se sinta embaraçado.
Prestações brutais encontram limites do mundo real
Em estradas normais, sobretudo em climas como o nosso, mais de 1000 cv enviados às rodas traseiras podem parecer menos transporte e mais um curso avançado de gestão de adrenalina.
Dito isto, o ZR1 não se limita ao espetáculo em linha reta. Com suspensão ajustável e uma carga aerodinâmica significativa, deverá sentir-se igualmente à vontade num circuito, onde as restrições da NHRA para o quarto de milha não se aplicam.
O preço também o colocará firmemente no território dos brinquedos de fim de semana. Quando o preço base nos Estados Unidos somar impostos europeus e custos de importação, o Corvette ZR1 deverá ultrapassar os 250.000 euros deste lado do Atlântico.
Para um carro que quebra o regulamento antes mesmo de chegar à pista, isso parece quase apropriado.